quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Votos de bom 2009, diferente.

Saiu na Folha de São Paulo, por Contardo Calligaris.

"Mas o mais importante é que a complacência com o totalitarismo segue sendo a chave mestra que explica quase todas as patologias de nossa relação com as coletividades (nações, torcidas, religiões, culturas, partidos etc).
Claro, pertencer a um grupo e se deixar levar por ele é sempre menos cansativo do que decidir por nossa conta. A ponto que as razões para aderir ao grupo se tornam indiferentes: o que importa é o conforto que o grupo oferece a seus membros.
Em outras palavras, para não ter que pensar e agir sozinho, o homem "bom" topa qualquer parada."

E ele continua... "Paradoxo crucial: um grupo pode se unir ao redor de uma ideologia ou de uma convicção na qual quase nenhum de seus membros, em sã consciência, acredita, mas que todos compartilham apenas PARA constituir um grupo -ou seja, pelo prazer de sair quebrando vitrinas, linchando negros e "bichas", torturando calouros, apedrejando o ônibus da torcida oposta. E qual é esse "prazer"?
Simples, é o prazer de esquecer a dificuldade de viver, tirando das costas o fardo e a responsabilidade de julgar com a nossa cabeça. Pois bem, aqui vão meus votos de um Ano-Novo corajoso, livre das pequenas (e terrificantes) complacências do nosso dia-a-dia."

domingo, 25 de janeiro de 2009

Uma das minhas surpresas da viagem foi que me deparei com uma placa com a palavra que deu origem ao meu nome: RODERICK.



Uma das minhas surpresas da viagem foi que me deparei com uma placa com a palavra que deu origem ao meu nome: RODERICK.

"Poder da fama" do alemão hrod "fama" e ric "rico, poder".

Dizem que o nome era comumente usado pelos Visigodos. Surgiu com o nascimento do seu último rei, também conhecido por Rodrigo, que morreu lutando contra os muçulmanos que invadiram a Espanha no séc. VIII.

Também tem cognatos no Old Norse, ou a língua falada na Escandinávia até meados dos anos 1300 em regiões Vikings, bem como no alemão do oeste.

Foi introduzido na Inglaterra pelos escandinavos e pelos Normandos. Desapareceu da sociedade depois da Idade Média e foi revivido no mundo inglês pelo poema do Sir Walter Scott, 'The Vision of Don Roderick' (1811).


Roderic e Rodric são formas escocesas.

E você, qual é a origem do seu nome?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Uma vírgula.

A vírgula pode ser uma pausa… ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando
para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

domingo, 18 de janeiro de 2009

2009


Férias.
Tempo de descansar.
Para mim, eu descanso viajando, vendo pessoas e paisagens diferentes.
Este ano novo começou bem.
Espero que para você também.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Para terminar uma conversa telefônica...

– Por favor, poderia me dizer qual o caminho para eu sair daqui?
– Depende muito de para onde você quer ir – disse o Gato.
– Não importa muito para onde... – disse Alice.
– Então não importa muito o caminho – disse o Gato.
LEWIS CARROL – Alice no País das Maravilhas

Em inglês, o título do livro é “Alice in Wonderland”. Wonder é um verbo que significa “sentir dúvida e curiosidade; admirar-se; desejar muito saber; emoção provocada por algo que é novo, extraordinário, não muito bem entendido”.

O livro foi escrito por um matemático inglês que assinou com o pseudônimo de Lewis Carroll nos meados do séc. XIX.
Na estória (sou do tipo que me dou o direito de me recusar a escrever história para contos não factuais!), há o Coelho Branco, sempre preocupado com o tempo e que caracteriza a rotina diária, a vida controlada pelo tempo. Um gato sem corpo. Alice já tinha visto um gato antes. Nunca sorrindo. Mas um sorriso de um gato, sem o corpo do gato? Nunca. “Quem és tu? Disse a Lagarta. Alice responde: Eu... Senhor, eu agora, neste momento, nem sei. Sei, pelo menos, o que era, quando levantei esta manhã, mas acho que devo ter mudado várias vezes desde essa altura”.

Alice é obrigada a reformular constantemente conceitos e comportamentos. Sente-se atordoada pela desordem, mas ao mesmo tempo tocada pelo caos. Porém, percebe que, mesmo no aparente caos, existe uma ordem intrínseca.
Há o desejo de transbordar os limites do desconhecido, mas, ao mesmo tempo, de se manter protegido do incerto.

Acorda Alice! O que você vai ser quando você crescer?

Há fases na vida da gente que estes questionamentos são mais perturbadores. Quando se escolhe uma profissão, um casamento, ao se passar pelas crises dos 21, 30, 40,...

Quando nascemos, já somos o produto do desejo, ou não de outros (no meu caso, fui produto de uma pílula mal tomada). Outros nos dão nome, não o escolhemos. A partir daí, há desejos de que sejamos felizes, inteligentes, bem sucedidos, etc.
Acredito que quando nascemos, estejamos encobertos por demãos de tintas de expectativas. Viver é se livrar aos poucos delas. É separar o que é meu do que é seu, dos outros.

Mas a pergunta continua: o que devo fazer da minha vida?
Eu já acreditei em Karma, missão divina... hoje, não sei. Sei que sempre tive o que desejei, mas na maioria das vezes, não da forma como havia planejado.
Para uns, a vida se resolve de maneira muito rápida e mais facilmente que outras. Quer seja ganhando na Mega Sena, sendo uma Grazi do BBB, que em 4 anos ganha um concurso, é vice do programa de TV e hoje tem uma carreira de atriz. Em 4 anos! Quantos lutam a vida inteira e não têm a mesma “sorte”. Quantos cientistas e artistas só são creditados depois de mortos?

Para amenizar a teoria das probabilidades, inventamos um ser divino. Por coerência filosófica, ele tem que ser justo. Para explicar essas injustiças da vida, inventamos um arranjo de resgate de vidas passadas e... pronto! Tudo é merecimento. Se não de agora, de vidas passadas. E tudo faz sentido. E a vida se apresenta como um sonho de Alice: caótico e admirável, com uma lógica interna própria e que não entendemos. Os “nãos” que recebi na vida foram entendidos como benéficos depois de um tempo. E como adolescentes crescidos, nos vemos de novo nos perguntando as mesmas questões. Nunca teremos uma resposta concreta. Estou fazendo da minha vida o que desejo? É esta a profissão correta? Há algo que estou deixando de fazer? Qual o limite da determinação e da teimosia? Até quando devo insistir?

Temos um vazio, cheio de perguntas. Para preenchermos este vazio, talvez a vida tenha o sentido que eu queira lhe dar. Conhecer todos os vazios. Maravilhar-se com o mundo. Dar sentido aos nossos desejos, inventar uma história, uma narrativa que seja peculiar, autêntica, minha.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Ser.

VERBO SER
Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor.
Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer?
Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser?
Dói? É bom?
É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?Sou obrigado a?
Posso escolher?
Não dá para entender.
Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser
Esquecer.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 30 de novembro de 2008

Uma relação especial.

Eu estou achando as pessoas, hoje em dia, muito pouco interessantes. Não que eu seja muito especial, mas as conversas são um pouco previsíveis, os comentários também. Se alguém faz uma ironia, uma piadinha qualquer, há sempre um plantonista do politicamente correto para fazer um ar de "não gostei".
No meio deste marasmo, sem sal nem açúcar, há um lugar muito especial para alguém que tem a boca suja, mente ligeira, raciocínio sagaz, língua afiada. Coração apertado, dúvidas atrozes, desejos a mil. Ou seja, um sopro de vida no meio da minha rotina. E esta vida, hoje, completa mais um ano. Quantos anos ela tem? Só Deus sabe! E espero que sejam muitos para me ajudar a vencer esta árdua tarefa que é viver. Com ela, a vida ganha um sentido mais colorido; pode até ir do cinza ao arco íris, mas tem cor!
Temos uma relação de amor profundo que ultrapassa as convenções sociais. As pessoas não entendem, e eu entendo: não é comum duas pessoas saberem dos defeitos um do outro, já terem brigado, se amado, discutido, divagado, sofrido, sonhado... e mesmo assim se querer bem. Aliás, isso é o que eu mais quero: querer bem a ela.
Se Deus existir mesmo, ele foi legal comigo, porque me fez conhecê-la. Se a sorte está do meu lado, ela dividiu seus afazeres com esta pessoa que me traz a fortuna de dizer que eu tenho alguém que realmente me quer bem.
Não vou ser cruel e pedir para você ser feliz na vida, porque esta busca é insana e impossível de obter. Mas viva a vida, apesar de tudo e todos e seus momentos de alegrias vão ser muitos. Faça deste momento, o próximo a você sentir saudades. Continue do meu lado e eu te darei um amigo fiel e leal.
Te amo batantão, viu Lívia!